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sábado, 10 de novembro de 2018

Uma poesia para acalentar nos dias sombrios

Olá, pessoal.

  Como sabem, além de jornalista também sou escritora .Meus textos em forma de poesia, dizem muito do que vivi, escuto e observo por minhas andanças.

O texto de hoje foi produzido durante o Curso de Formação de Professoras "Malungas" organizado e dirigido pela professora Kiusam de Oliveira em outubro/2018.  Na poesia falo e questiono pra onde vai os nosso silêncios, falas...o que deixamos de falar, expressar.

O tal silêncio 

Sabe aquele nó, aqui guardado
Daquele silêncio que não foi falado
Sabe aqueles vezes que você me cerca com o olhar
Esperando atentamente eu falar!
Sabe? Você sabe?

Ah!! Aquele nó de dor, daquele dia e de tantos outros
Esta preso aqui na garganta.

Sabe quantas vezes eu me calei?
Não sei por que , mas me calei
Levando um peso nas costas, de muitas dores e padrões impostos
Responsabilidades,amadurecimento, sorrisos falsos e abraços frouxos.

Por muitas vezes me refugiei, sozinha ou calada
Vagueando por aí, em relações e ações como num porto ancorada
Mas, saiba que me livro cotidianamente das marcas do corpo e da alma
Dos silêncios que eu deixei de falar.

Talvez agora eu perceba, que sobrecarreguei um peso
Que ora era e noutra nem era meu
Nesse corpo , sujeito-mulher-negra que já se exige tanto
É preciso se superar , suportar e por vezes afrontando
Hoje já aprendi , que se não for falando eu vou registrando, quebrando, gritando ou declamando.

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Que consigamos resistir a esses tempos sombrios e que a arte nos auxilie neste caminhar.

Abraços, Ale.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dar aula: um ato político

Olá.

Esse post é uma reflexão pessoal que gostaria de compartilhar com vocês. 

Sabe o ato político ou fazer político? Então, ele não tem só a ver com ir para rua e gritar "palavras de ordem" ou protestar. Tem a ver com o que você faz com seu discurso, suas convicções, a quem você tá defendendo, lendo, ensinando e aprendendo. Tem a ver com o seu caminhar no cotidiano, seus princípios, etc. E a sala de aula é ótimo exemplo disso.

Na semana passada, alguém me perguntou se eu seria professora, após a pessoa saber que faço Licenciatura em Letras-Português. Eu parei, pensei e respondi: por enquanto a única coisa que penso é em converter o curso para algo bom. Não sei, mas isso faz muito sentido para mim. 

Reverter a formação para uma utilidade, e não apenas o trabalho, dinheiro e diversão. Avançando com essa discussão e pensando na sala de aula, que se for pensado no método tradicional com suas burocracias, realmente não vejo por lá. 

Mas, na última semana finalizei o Estágio Supervisionado 3 no Proeja no IFES, etapa obrigatória do curso, e realmente gostei do que vi e ouvi. E isso, foi um super ato político, forte e empoderador para mim.

Primeiro, que o Proeja no Instituto Federal do Espírito Santo é um curso novo, por várias vezes já teve pessoas querendo encerrar com o curso e condenando a existência deste numa instituição que é referência no ensino técnico e científico. Segundo que, apesar dessa barreira estrutural e vertical o curso se mantém e oferta na opção integrada ao técnico os cursos de Guia de Turismo e Segurança do Trabalho ( https://ifes.edu.br/cursos/graduacao ). Terceiro que foi ótimo ao final das aulas, em meio a confraternização, abraços e fotos ouvir os alunos me cumprimentarem e falarem que se inspiram em mim para não desistir. 

Não sei se falei, mas sou negra e uso um Black enorme e a maioria dos alunos dessa turma do Proeja é formada por mulheres,negros, tinham mais de 25 anos e estavam afastado da sala de aula a mais de 5 anos. Isso é muito significo, já que apenas 10% das mulheres negras completam o ensino superior. Sendo que a população negra representa 54% da população brasileira. 

Pensa agora comigo: quantas professoras negras e negros você já viu dando aula para você no ensino técnico ou superior? Ou mestre e doutora? Médica? Engenheira? Sério, ouvir dos alunos que se inspiram em mim, que ainda sou graduanda em Letras-Português, é muito significativo, politico, etc. 

No fim, valeu super a pena ter enfrentado a sala de aula, mesmo que apenas num estágio obrigatório. Quem na verdade aprendeu não foram os alunos, mas sim quem tá escrevendo esse texto. 

E é isso! Espero que tenham gostado, 😉😉

Abraços, Alê.