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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Dar aula: um ato político

Olá.

Esse post é uma reflexão pessoal que gostaria de compartilhar com vocês. 

Sabe o ato político ou fazer político? Então, ele não tem só a ver com ir para rua e gritar "palavras de ordem" ou protestar. Tem a ver com o que você faz com seu discurso, suas convicções, a quem você tá defendendo, lendo, ensinando e aprendendo. Tem a ver com o seu caminhar no cotidiano, seus princípios, etc. E a sala de aula é ótimo exemplo disso.

Na semana passada, alguém me perguntou se eu seria professora, após a pessoa saber que faço Licenciatura em Letras-Português. Eu parei, pensei e respondi: por enquanto a única coisa que penso é em converter o curso para algo bom. Não sei, mas isso faz muito sentido para mim. 

Reverter a formação para uma utilidade, e não apenas o trabalho, dinheiro e diversão. Avançando com essa discussão e pensando na sala de aula, que se for pensado no método tradicional com suas burocracias, realmente não vejo por lá. 

Mas, na última semana finalizei o Estágio Supervisionado 3 no Proeja no IFES, etapa obrigatória do curso, e realmente gostei do que vi e ouvi. E isso, foi um super ato político, forte e empoderador para mim.

Primeiro, que o Proeja no Instituto Federal do Espírito Santo é um curso novo, por várias vezes já teve pessoas querendo encerrar com o curso e condenando a existência deste numa instituição que é referência no ensino técnico e científico. Segundo que, apesar dessa barreira estrutural e vertical o curso se mantém e oferta na opção integrada ao técnico os cursos de Guia de Turismo e Segurança do Trabalho ( https://ifes.edu.br/cursos/graduacao ). Terceiro que foi ótimo ao final das aulas, em meio a confraternização, abraços e fotos ouvir os alunos me cumprimentarem e falarem que se inspiram em mim para não desistir. 

Não sei se falei, mas sou negra e uso um Black enorme e a maioria dos alunos dessa turma do Proeja é formada por mulheres,negros, tinham mais de 25 anos e estavam afastado da sala de aula a mais de 5 anos. Isso é muito significo, já que apenas 10% das mulheres negras completam o ensino superior. Sendo que a população negra representa 54% da população brasileira. 

Pensa agora comigo: quantas professoras negras e negros você já viu dando aula para você no ensino técnico ou superior? Ou mestre e doutora? Médica? Engenheira? Sério, ouvir dos alunos que se inspiram em mim, que ainda sou graduanda em Letras-Português, é muito significativo, politico, etc. 

No fim, valeu super a pena ter enfrentado a sala de aula, mesmo que apenas num estágio obrigatório. Quem na verdade aprendeu não foram os alunos, mas sim quem tá escrevendo esse texto. 

E é isso! Espero que tenham gostado, 😉😉

Abraços, Alê.